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Publicado em 22 de setembro de 2015

A Política como Profissão

Mario Braga


O marido ao saber que sua mulher o traía no sofá da sala , tratou logo de vender aquele sofá.


Os motivos do atual desgaste das intituições democráticas não devem ser procurados na estrutura de representação idealizada por nossos antepassados . Não adianta substituir as cadeiras do congresso nacional. Mais efetivo será substituir as pessoas que hoje sentam naquelas cadeiras e nas cadeiras do poder executivo.


Nossos representantes, em sua grande maioria, passaram a ser políticos profissionais quando tomaram para si a tarefa de serem porta-vozes permanentes do povo. Em nome desta nova carreira passaram a ser aceitáveis os espúrios acordos partidários e muitos outros desvios de ética. A consequência imediata disso foi o enfraquecimento de todo o conceito de democracia representativa. A sociedade então passou a confundir a palavra "político" com sinônimos de demagogia, esperteza e dissimulação.


Nós brasileiros e brasileiras precisamos encontrar uma maneira de dar um fim a esses políticos profissionais, verdadeiros responsáveis pelo atual descrédito que o povo alimenta em seus representantes oficiais. Se não reconhecermos que este é o nosso mal estaremos buscando soluções semelhantes àquela adotada pelo infeliz marido.


Como deveremos fazer para manter uma democracia sem políticos profissionais?


É fácil. Precisamos somente de uma mudança constitucional que imponha a inelegibilidade automática para todas as pessoas que exercem cargos eletivos, seja no poder legislativo ou no poder executivo.


Isto, por si só , inviabiliza totalmente a carreira de político. Ao final de seu mandato, um representante do povo não poderá mais pleitear a manutenção do mesmo cargo nem pensar em qualquer salto para outro cargo eletivo.


Um prefeito, por exemplo, trataria somente de ? prefeitar ? sem qualquer ambição de postular futuramente o cargo de governador. A idéia vale para todos. Nossos representantes devem se preocupar MAIS em nos representar e MENOS em sua própria carreira.


A classe política e aquelas pessoas mais reacionárias fazem naturalmente algumas críticas a esta proposta. A mais frequente entre estas críticas levanta a suposição que os novos representantes não teriam a necessária experiência nos seus cargos e, o que é pior, quando estivessem próximos desta intimidade seriam substituídos por novos representantes inexperientes. Com certeza esta é uma suposição falsa.


Nunca se ouviu falar que um jurado necessite ter experiência antes de aceitar sua convocação pelo poder judiciário. Não é possível também citar qualquer obrigação na rotina de um deputado, senador ou vereador que não possa ser aprendida rapidamente por qualquer pessoa de bom senso. Aí estão, como prova, diversos políticos bem sucedidos logo no seu primeiro mandato e que, ao longo dos anos, se tornaram menos brilhantes.


Também no poder executivo, o bom senso, a capacidade e os princípios falam mais alto que a experiência dos governantes em cargos públicos. Novamente são inúmeros os exemplos no Brasil de prefeitos, governadores e mesmo presidentes da república que fizeram um magnífico primeiro mandato e um sofrível segundo mandato.

Se a experiência fosse tão importante, isso não aconteceria nunca.


O fim da reeleição se apresenta como uma forma de extinguir docemente a classe política e segue o exemplo dado no Brasil em 1871 quando Visconde do Rio Branco propôs a redução gradativa da escravidão através da Lei do Ventre Livre. Nenhum dono de fazenda se sentiria imediatamente prejudicado e, ao mesmo tempo, o final da escravidão estava inexoravelmente decretado.


Mario Braga é presidente nacional do PINA.

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